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Atualmente, a bioeconomia movimenta cerca de R$ 9 bilhões por ano (o equivalente a 3,8% do PIB estadual) no Pará, segundo dados divulgados pelo governo do estado. E as mulheres estão à frente de iniciativas empreendedoras que mantêm a floresta viva e valorizam os recursos da biodiversidade de acordo com a lógica ancestral - afinal, uma floresta derrubada é um corpo morto, um ecossistema destruído, ou seja, uma impossibilidade ecológica. Em diferentes comunidades do Pará, elas lideram iniciativas que combinam geração de renda, segurança alimentar, valorização dos saberes tradicionais e conservação ambiental.
Conheça quatro histórias inspiradoras de mulheres que estão transformando seus territórios e ajudando a construir um futuro mais sustentável para a Amazônia:
1. Mulheres construindo um cinturão de abelhas em torno de Belém
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Marcicleidi Teles, produtora rural do projeto Mulheres Amigas das Abelhas - Crédito: Matheus Melo
Nas ilhas de Belém, o projeto Mulheres Amigas das Abelhas, coordenado pelo Instituto Peabiru, aposta na criação de abelhas nativas sem ferrão como estratégia para fortalecer a economia local e conservar a biodiversidade. Além da produção de mel, as abelhas desempenham um papel fundamental na polinização de espécies amazônicas, contribuindo para o aumento da produção de frutos como o açaí. A iniciativa incentiva o protagonismo feminino na meliponicultura, promove capacitações técnicas e busca implantar centenas de colmeias em comunidades tradicionais, criando novas fontes de renda enquanto fortalece os serviços ambientais prestados pela floresta.
2. Mulheres extrativistas transformam saberes ancestrais em negócios sustentáveis
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Dayse Sarmanho, secretária da Associação de Mulheres Extrativistas do Combu - Crédito: Matheus Melo
Na Ilha do Combu, em Belém, a Associação de Mulheres Extrativistas do Combu (AME) reúne mulheres que transformam recursos da sociobiodiversidade em produtos como sabonetes, repelentes e cosméticos naturais. A partir do uso sustentável de espécies como a andiroba, elas geram renda, valorizam conhecimentos tradicionais e fortalecem o turismo de base comunitária. No ano passado, às vésperas da COP30, elas receberam investimentos em infraestrutura, acesso à internet, energia solar e capacitações em empreendedorismo e educação financeira. A intenção é que as associadas consolidem seus negócios e fortaleçam a economia local sem comprometer os recursos naturais dos quais dependem.
3. Quintais agroflorestais fortalecem mulheres e comunidades em Cotijuba
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Lideranças do Instituto Amigos da Floresta Amazônica - Crédito: Matheus Melo
Na Ilha de Cotijuba, o Instituto Amigos da Floresta Amazônica (ASFLORA) trabalha com a implantação de sistemas agroflorestais em quintais de mulheres ribeirinhas. A proposta combina recuperação de áreas degradadas, produção de alimentos e geração de renda por meio do cultivo de espécies como cupuaçu, açaí, cacau, banana e hortaliças. Além de ampliar a segurança alimentar das famílias, os quintais agroflorestais contribuem para restaurar a cobertura vegetal e estimular uma economia baseada na biodiversidade. O projeto também promove capacitações e incentiva a autonomia financeira das mulheres participantes.
4. Mulheres quilombolas se unem para garantir segurança alimentar sustentável
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Integrantes da Associação da Comunidade Quilombola Sítio Cupuaçu/Boa Vista (ASCOMQUISC) - Crédito: Matheus Melo
Na comunidade quilombola Sítio Cupuaçu, em Barcarena, mulheres também estão transformando seus quintais em espaços produtivos por meio de práticas agroecológicas. O projeto da Associação da Comunidade Quilombola Sítio Cupuaçu/Boa Vista (ASCOMQUISC) incentiva o cultivo de frutas, hortaliças e plantas medicinais sem uso de agrotóxicos, valorizando técnicas tradicionais e promovendo o manejo sustentável dos recursos naturais. Além de garantir alimentos mais saudáveis para as famílias, a iniciativa reduz a dependência de compras externas, gera renda e fortalece a soberania alimentar da comunidade.
As visitas às comunidades foram resultado da atuação do Amazônia Vox como parceiro do Amazônia Live - Hoje e Sempre, iniciativa dos festivais Rock in Rio e The Town, unidos pela causa “Por Um Mundo Melhor”.
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